As piores finais da história do futebol português: quando a emoção ficou no balneário – Se há coisa que o adepto português adora é uma final de futebol cheia de emoção, nervos à flor da pele e, claro, golos de levantar o estádio.
Mas nem sempre as coisas correm como se espera. Ao longo da história do futebol nacional, algumas finais deixaram muito a desejar — seja por goleadas humilhantes, jogos sem chama ou polémicas que roubaram o protagonismo ao jogo jogado.
Neste artigo, vamos relembrar as finais mais desinspiradas, frustrantes ou simplesmente “seca” que já se viram em solo português. Afinal, nem sempre a festa do futebol termina com aplausos.
Benfica 12–2 FC Porto: quando o equilíbrio foi de férias
Parece mentira, mas esta final da Taça de Portugal em 1943 terminou com um resultado de videojogo: 12-2 para o Benfica. Foi uma das maiores goleadas da história entre os “Três Grandes”. Os adeptos do Porto saíram incrédulos, os benfiquistas celebraram, mas quem queria ver um clássico equilibrado… ficou a ver navios. A desproporção tirou qualquer traço de emoção ao jogo.
Sporting CP 1–1 Vitória de Setúbal (5–4 gp): final da Taça da Liga 2018
Aqui temos um exemplo de como nem sempre as grandes penalidades salvam um jogo fraco. Apesar do desfecho dramático nos penáltis, o jogo em si foi morno, sem criatividade, com as equipas a jogar mais para não perder do que para ganhar. O público esperava mais, e com razão.
FC Porto 1–1 Sporting CP (3–1 gp): final apagada de uma rivalidade intensa
A final da Taça da Liga de 2019 juntou dois colossos do futebol português, e isso, à partida, prometia um jogão. Mas o que se viu em campo foi uma partida arrastada, sem grandes momentos de brilho. O empate no tempo regulamentar já deixava os adeptos a bocejar, e os penáltis — que normalmente aquecem o coração de qualquer um — não chegaram para redimir o espetáculo. O Sporting acabou por vencer, mas a verdade é que ninguém saiu realmente satisfeito.
Benfica 5–0 Sporting CP: final da Supertaça 2019 sem sabor
O que se esperava era um dérbi escaldante, daqueles em que ninguém descola da televisão. Mas o que aconteceu foi uma avalanche encarnada. O Benfica dominou por completo e venceu por uns expressivos 5–0, sem grande resistência do rival. Não foi apenas um jogo desequilibrado — foi desmotivador. Para os adeptos neutros, foi como ver um jogo a uma só baliza. E para os sportinguistas… nem se fala.
Benfica 5–0 Sporting CP (1986): um déjà-vu amargo
Mais de 30 anos antes, os dois clubes já tinham protagonizado outro clássico desequilibrado numa final da Taça de Portugal. Em 1986, o Benfica voltou a aplicar cinco golos sem resposta ao Sporting. A história repetiu-se, com mais uma final previsível e sem graça. Quando um jogo com tanto peso na história do futebol acaba sem emoção ou equilíbrio, é difícil não classificar como uma das finais mais desinspiradas.
Sporting CP 3–6 Benfica (1994): muitos golos, pouca defesa
É verdade, foram nove golos num só jogo — mas nem sempre quantidade significa qualidade. A final da Taça de Portugal de 1994 entre Sporting e Benfica é muitas vezes lembrada mais pelo caos defensivo do que pelo espetáculo. O Benfica venceu por 6–3, mas as duas equipas mostraram enormes fragilidades atrás. Houve emoção, sim, mas faltou equilíbrio tático, faltou intensidade competitiva, e para muitos, sobrou frustração. Não deixa de ser uma final histórica, mas também deixa aquele sabor agridoce: podia ter sido bem melhor.
FC Porto 2–0 Sporting CP (2000): jogo grande, emoção pequena
Final da Taça entre dois rivais sempre gera expectativa, mas esta, em 2000, acabou por ser… aborrecida. O Porto controlou do início ao fim, marcou cedo e geriu o jogo com frieza. O Sporting não teve resposta. Para quem esperava um duelo aberto, com troca de ataques e golos de levantar bancadas, foi uma grande desilusão. Um jogo sem sal, que rapidamente foi esquecido pelos adeptos.
Vitória de Setúbal 3–1 Benfica (1965): surpresa… sem espetáculo
Numa das finais mais inesperadas da história da Taça, o Vitória de Setúbal derrotou o gigante Benfica por 3–1. Apesar do mérito dos sadinos, a final ficou marcada pela falta de intensidade e ritmo, e o Benfica parecia estar completamente fora de jogo. A surpresa no resultado não foi acompanhada por um espetáculo digno da ocasião, o que fez com que a partida ficasse na memória mais pelo choque do marcador do que pela qualidade do futebol apresentado.
Benfica 2–1 FC Porto (2004): uma final manchada por polémicas
Mais uma final entre gigantes, mais uma vez com expectativas nas alturas — e mais uma vez com frustração à mistura. A final da Taça de Portugal de 2004 terminou com a vitória do Benfica por 2–1, mas o jogo ficou marcado por várias decisões controversas da arbitragem que ofuscaram o espetáculo. Em vez de se falar dos golos ou das jogadas de mestre, o destaque foi todo para os protestos, as discussões e a sensação de injustiça que ficou no ar. Quando a arbitragem rouba o protagonismo ao futebol, o resultado raramente agrada.
Sporting CP 2–2 FC Porto (5–4 gp): emoção nas penalidades, frustração nos 90 minutos
A final de 2019 da Taça de Portugal teve emoção no fim, mas os 90 minutos deixaram muito a desejar. O empate no tempo regulamentar foi recheado de erros, passes falhados e ritmo lento. Houve golos, sim, mas também houve muita falta de organização. As grandes penalidades deram algum drama, é certo, mas não chegam para disfarçar uma partida sem brilho. Uma final que prometia mais do que entregou.
Finais para esquecer… ou para aprender?
Nem todas as finais ficam para a história pelas melhores razões. Algumas são desequilibradas, outras sem chama, e há ainda aquelas que são manchadas por fatores fora das quatro linhas. Para os adeptos, a frustração é inevitável, mas para o futebol português, fica sempre a oportunidade de evoluir, de corrigir, e de voltar com finais à altura da paixão nacional que é o futebol.
Porque a verdade é esta: finais existem para emocionar, surpreender, fazer vibrar. E quando isso não acontece, não há taça que cure a desilusão de quem esteve à espera de um verdadeiro espetáculo.
