O que realmente acontece nos treinos fechados dos clubes portugueses? – Os treinos fechados estão cada vez mais presentes no dia a dia dos principais clubes portugueses.
E se já te questionaste sobre o que se passa por trás dos portões trancados dos centros de treino, não és o único. Afinal, o que é que se tenta esconder? Ou melhor: o que é que se está a preparar com tanto sigilo?
Neste artigo, vamos levantar um pouco o véu sobre o que acontece longe das câmaras e dos olhares curiosos — e explicar por que razão esta prática se tornou tão frequente no futebol.
Treino fechado: esconderijo ou estratégia?
A verdade é que os treinos fechados não servem para criar mistério à toa. Muito pelo contrário. São uma ferramenta fundamental para que as equipas trabalhem em paz, sem distrações, e acima de tudo, longe dos olhos dos adversários.
Os treinadores ensaiam jogadas específicas, ajustam posicionamentos e testam variações táticas que preferem manter em segredo antes do jogo. O segredo é alma do negócio — e neste caso, do golo.
Clubes como o Sporting CP, o FC Porto e o SL Benfica utilizam esta estratégia com frequência, especialmente nas semanas que antecedem clássicos ou jogos decisivos.
Mas afinal, há mesmo tanto para esconder?
Sim, há. Principalmente porque os analistas estudam o futebol moderno ao detalhe. Equipas adversárias analisam cada detalhe — da forma como um lateral sobe ao comportamento de um médio na construção. E cada pista pode fazer diferença.
Quanto tempo dura o mistério? E a imprensa, o que vê?
Normalmente, os clubes permitem que a imprensa acompanhe apenas os primeiros 10 a 15 minutos de cada sessão — o chamado “aquecimento”. Durante esse período, os jornalistas registam imagens, tiram algumas fotos e observam o ambiente do grupo. Depois disso, as portas fecham-se, e aí… só mesmo quem está lá dentro é que sabe o que se passa.
Essa regra é válida inclusive para competições organizadas pela FPF, como a Supertaça Cândido de Oliveira. Mesmo nesses jogos oficiais, há uma norma clara: só os primeiros minutos são abertos aos media. O resto do treino decorre em total privacidade.
Há polémica com isso?
Claro que sim. Do lado dos clubes, o argumento é simples: proteger a estratégia e criar um ambiente de foco total. Do lado dos jornalistas, a crítica é que esse excesso de secretismo dificulta o trabalho da imprensa e afasta os adeptos do quotidiano dos seus clubes.
É um equilíbrio delicado. Os treinadores querem preparar as suas equipas sem ruído externo. Mas os adeptos, muitas vezes, gostavam de sentir-se mais próximos do processo — e não só dos 90 minutos de jogo ao fim de semana.
Apesar disso, a verdade é que este modelo não é exclusivo de Portugal. Em Espanha, Inglaterra ou Alemanha, a prática dos treinos fechados também se tornou comum, especialmente nos grandes clubes.
E os jogadores, gostam?
Depende. Para muitos, é uma oportunidade de treinar com mais liberdade, sem pressão externa. Para outros, pode até ser monótono. Mas em geral, os treinadores e jogadores encaram os treinos fechados como uma fase de concentração máxima, onde afinam cada detalhe ao milímetro.
Que tipo de treinos são realizados longe das câmaras?
Agora entramos no que todos querem saber: o que acontece, na prática, dentro de um treino fechado? Bem, há muito mais do que corrida à volta do campo e posse de bola. Os treinos são divididos por fases, e cada uma tem um propósito específico, de acordo com o que o treinador quer implementar no próximo jogo, por exemplo.
Há sessões dedicadas exclusivamente a estratégias defensivas, onde se ensaiam movimentações da linha de quatro, posicionamento em bolas paradas e simulação de pressão alta. Noutras, o foco pode ser ofensivo — com jogadas combinadas, movimentação entre setores e finalização a partir de diferentes zonas do campo.
Além disso, há um cuidado especial com jogadores lesionados ou em recuperação, que realizam treinos individualizados, acompanhados por preparadores físicos e fisioterapeutas. Tudo isto sem distrações externas e com o foco total na recuperação e no desempenho.
Há espaço para testes e surpresas?
Sem dúvida! Os treinos fechados são também o momento ideal para testar novas ideias sem expor publicamente as intenções da equipa. Um treinador pode experimentar um jogador fora da sua posição habitual, lançar um jovem da formação no meio dos titulares ou mudar completamente o esquema tático sem que isso chegue à imprensa.
Foi em treinos assim, por exemplo, que o Benfica testou a adaptação de João Mário mais recuado no meio-campo, ou que o FC Porto treinou com três centrais antes de aplicar a ideia em jogos oficiais.
O SC Braga, por exemplo, também utiliza estes treinos para dar minutos de qualidade a jogadores menos utilizados e para preparar segredos táticos antes dos jogos europeus.
E o papel dos analistas e da tecnologia nos treinos fechados?
Hoje em dia, um treino fechado é quase um laboratório de futebol. Os analistas de desempenho têm um papel cada vez mais relevante nestas sessões. Filmam tudo, recolhem dados em tempo real, avaliam a movimentação dos jogadores, o número de passes certos, os sprints, a ocupação de espaços, entre outros detalhes que muitas vezes passam despercebidos aos olhos dos adeptos.
Essas análises são depois revistas com os jogadores em vídeo, e com isso, corrigem-se erros e afinam-se detalhes antes da partida oficial. É por isso que tanta coisa pode mudar de um jogo para outro — e por vezes, sem que o público tenha sequer suspeitado.
Plataformas especializadas como o Zerozero também acompanham de perto os resultados e alterações nos plantéis, dando pistas ao público sobre quem pode estar a ser preparado para entrar de surpresa.
Afinal, há alguma magia nisso tudo?
Pode não haver magia no sentido literal, mas há sim um certo mistério. Os treinos fechados criam uma aura de preparação exclusiva, onde tudo pode acontecer: uma nova tática, a revelação de um jovem talento, ou até o regresso de um lesionado que ninguém esperava ver em campo tão cedo.
Essa estratégia de manter os segredos até ao último momento faz parte do jogo — e dá aos treinadores uma vantagem competitiva que pode ser decisiva.
Segredo bem guardado ou apenas modernidade?
Os treinos fechados não são uma moda passageira — são uma tendência consolidada no futebol moderno. Se por um lado tiram algum do romantismo dos velhos tempos em que os adeptos podiam assistir livremente, por outro são ferramentas profissionais para um desporto cada vez mais exigente.
E mesmo que muitas portas estejam fechadas, o que se prepara lá dentro continua a fazer vibrar quem está cá fora. Porque no fim, tudo o que o adepto quer é ver a sua equipa entrar em campo… e dar espetáculo.
